quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Despertar antes do meio dia torna os meus dias mais longos e a minha miséria mais dolorosa.

Se me fosse possível, viveria apenas nas madrugadas, sozinha ou em má companhia.
Todas tristes como eu, digerindo sua solidão em subterfúgios tão vazios quanto a própria vida.

Então, passaria longe de toda a luz do dia, já não conheceria mais o sol e seus deleites.
Seria como um morto que, com sua palidez e frieza, desperta de seu túmulo para lembrar a todos que um dia passou por aqui.
Passearia pelas lembranças que os outros vão deixando ao longo dos dias, e como um morto, dormiria enquanto todos se levantam para viver.

Assim eu seria feliz. Todos diriam: 'veja, como é triste, dorme enquanto vivemos".
E no meu sono consciente eu sorriria, e sonharia sonhos doces, até a noite chegar.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Hoje eu só queria aqueles olhos...aqueles buracos negros que me engolem todas as vezes.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Hoje tudo já está longe demais para eu alcançar.
Eu quero descansar, porque antes as coisas estavam tão perto.
Eu podia tocá-las com o nariz.
Mas as coisas de perto se exauriram e eu me exaustei. E eu nem sei se existe essa palavra. E, quer saber? Eu não vou ao dicionário procurar.

Estou muito exausta mesmo. Como se todas as vidas que eu neguei me pesassem agora sobre as pernas.
Eu só quero ficar sentada. Deitada, se possível.
Quero esquentar meus pés e estar confortavelmente triste num sofá de molas velhas.
Depois eu posso deixar todo o frio do mundo me envolver. Eu posso fazer isso.

Porque essas molas estão velhas demais pra me lançar para esses lugares onde meu nariz não alcança.

Não posso ver nada adiante, nada além das mãos que esfregam meus olhos sóbrios.

domingo, 21 de agosto de 2011

Estou sempre tão dividida que nunca consigo ser inteira pra nada nem ninguém.

Dois nomes.
Duas profissões.
Dois homens.
Dois livros.
Duas condições.

E eu não assumo é nenhuma!
Permaneço assim, entremeada dessas tantas possibilidades.
Nunca fui boa em decidir, e tudo que foi decidido, o foi pelo inexorável.

E agora, que não encontro com o acaso faz tempo e tudo está em suspenso, esperando um dedo pra apontar qual vida eu vou viver?
E agora que não tenho ninguém pra lembrar de lembrar de me ajudar?

Já escrevi tantas vezes que sou uma pessoa solitária, mas é que jamais estive tão sozinha.
(Quase)Todos desistiram de mim, e quem ainda não desistiu já esqueceu...

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

É sempre bom lembrar: você está sozinha.
Continue sozinha.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Se hoje eu chorar o dia inteiro, será bom. A dor hoje acordou disposta.
Tem dias em que eu não gostaria de parecer tão auto-suficiente aos outros olhares.
Tem dias em que eu preciso ser consolada sem precisar prestar satisfações sobre as minhas lágrimas.

Uma das coisas que mais me priva de dividir minhas lágrimas com os outros é o fato de que, quando se chora em presença de alguém duas situações incômodas podem acontecer: ou a pessoa julga que o choro é por ela, ou a pessoa pensa que tem que fazer parar o choro.

Não, não quero isso.
Eu só gostaria de chorar toda essa dor em algum colo calado, que não gastasse palavras tentando me convencer de que vai passar, porque não vai!

Hoje, se eu chorar o dia inteiro, será pouco.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Ninguém está vendo como eu estou com medo.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Um dia eu quis passear pra fora da minha vida.
Eu tinha a arma e tinha uma bala.
Arma na bolsa, bala no bolso, fui pro parque, entrei no mato, e quando achei que já estava suficientemente longe, sentei.

Coloquei a bala, girei a roleta, mirei minha boca e puxei o gatilho.
Em seguida, mirei o chão e puxei o gatilho, e lá estava ela, enterrada ali pra sempre.
Matei a morte, enterrei e velei. Velei até quando achei que já estava suficientemente longe.

Lá ela descansou, no meio da grama, no meio do mato, no meio do parque, no meio dessa cidade que me engoliu.

Então, eu fui embora de volta pra minha vida.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Eu devia dizer o quanto eu gosto do jeito dele.

Que apesar da brevidade, que apesar de não parecer, que apesar de todos os pesares, aqueles olhos são verdadeiros buracos negros em que me perdi...

É a vontade que por vezes vira ânsia e por outras se acanha, e nunca, nunca acaba.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Profundo sentimento de perda.
Saudades nem sei de quê!
Do que nunca houve e não vai mais haver.
Porque ele foi embora antes mesmo de chegar, e me deixou esse buraco n’alma.

Não sei lidar mais com isso. Não sei mais como lidar com isso. Não quero.
Alguém me leve até lá, porque eu não sei o caminho, e eu me perdi tantas vezes que agora eu já nem quero mais tentar ir sozinha.

Me dá a mão. Me faz companhia, porque eu acho que eu vou embora também, e eu só queria um pouquinho de calor antes disso, porque no caminho vai fazer frio.
É o inverno que vai se fazer dentro de mim.

E eu nunca recebi as flores dele. Nem dele, nem de ninguém...mas as dele é que fazem mais falta.
Queria ter sentido o cheiro das flores que ele ia me dar. É, eu queria.
Mas agora já outro dia, e eu tenho mesmo que ir.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Tenho medo. Estou triste, sozinha, perdida e cansada.
Já bati minha cabeça tantas vezes contra a parede. A parede rachou e depois a parede caiu.
Mas a dor! Ah, não, a dor continuou ali, doendo. E hoje eu só quero ficar quieta, deitada, respirando baixinho.
Mãe, ninguém tem culpa. A tristeza está em mim, o que não quer dizer que a culpada sou eu.
Se alguém te disse que te ama, é porque alguém ama te amar.
E todo mundo ama todo mundo, mas não há uma boa alma nesse todo mundo que me ajude a entender porque a melancolia nunca cessa.
E isso desgasta. Meus músculos estão extenuados de tentar.
Tudo tem o mesmo sabor, o mesmo cheiro, a mesma cor. Por certo meus sentidos me enganam porque, mãe, todo mundo parece tão feliz.
Todo mundo acorda, todo mundo dorme. Come, reza, trabalha, dança, goza.
Viver, mãe, é negócio perigoso, e eu tenho medo.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Nem sempre eu vou tão longe.
Às vezes é logo ali, então, você deve tentar...eu posso responder.
E eu respondo pra mim mesma: Sim, Andressa, você já teve dias melhores.
O que me faz lembrar daquela música:
"Ela me disse: eu não sei mais o que eu sinto por você.
Vamos dar um tempo, um dia a gente se vê."

Entre tantos dois pontos introduzindo assuntos que não levam a lugar algum, um ponto final.
Ele nunca chegou a ver aquele bilhete. Ninguém nunca vê os meus recados...

E um dia a minha música vai tocar, e minhas sapatilhas devem estar bem amarradas, porque a música não te espera, e, ou você dança ou você dança.
Mas se você não pode ler o meu recado, então, não, eu não vou dançar com você.