sexta-feira, 13 de novembro de 2009

EU nunca erro...sempre sei quando alguém é um embuste.
E sempre chega o tempo em que a prova disso se faz para quem não quer ver...

Mas o que é fraudulento se eterniza...repete-se até sempre. A necessidade de afirmar e superlativizar é o maior denotativo disso. É fácil saber quando não é certeza, quando não é maravilhoso, quando não é surpreendente. É quando se precisa que seja, e na tentativa vã de consolidar o que se quer, afirma-se até tornar-se verdade. Falaciosa verdade.

É, Cony, acho que temos razão!

sábado, 31 de outubro de 2009

Acho que sempre fui assim. Essa coisa indeterminada, de ninguém, nem de mim mesma.
Creio que por isso seja tão estranho emprestar-me.
Sempre fui egoísta e eu gosto que seja assim. Gosto de pensar que posso ser sozinha, e essa é a razão pela qual SOU sozinha.

domingo, 13 de setembro de 2009

Estou no topo.
Haverá vertigem?

sábado, 12 de setembro de 2009

Quanto mais alto se vai, maior é o medo da queda...
...ou seria a vontade da queda?
O que é a vertigem, então?
Vertigem é o desejo de cair, disse o Milan Kundera.
Não sei se aguento mais quedas.
Não sei se as necessito desesperadamente, como que uma espécie de bate-estaca, pra me afundar em mim mesma.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

No entanto, deixo meu quinhão
Um pouco daqui, um punhado de não
Sei que sei, mas esqueço.

Pelo que sei tenho apreço
E o preço é caro, sem barganha
Tudo que sou me estranha.

Pelo que sou tenho medo
Ora não, ora convicção
Em um minuto, a contramão
No outro, a resolução.
É, Cony, eu também desprezo o ser humano.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Quando não se sabe nada sobre o amor...não blasfeme!
Quando não se tem o que dizer, não grite.

Quando não se é o que se quer ser, não simule.

Quando não se pode o que se pretende, não intente.

Já se falou um dia...uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa.

O mesmo vale pra você e pra mim.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Daqui para diante sou livre
Sei, falo e grito o que gosto
Quero tudo o que não posso!

Livre: choro quando rio
Desembaraço quando aperto
Calo no protesto!

Sono desperto!
No pesar, gracejos!
No júbilo, bocejos!

Coerência discordante
Discordância consoante
Ante o medo, intrepidez!

Sou descomedida, enfim
Desprendida assim
Livre de você e livre de mim!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

VIOLADO EGO MORTO
Quando vejo teu sangue derramado
Sinto o gosto do sentido putrefato
Sobre teu corpo agora revelado
Atirando-me em angústia deflorada

Ego morto, decepado, enterrado.
O vermelho dos teus olhos estalados
Verte águas dolorosas cravejadas
E teu peito outrora ofegante
Conhece a morte antecipada

Nascido morto, padeceu!
Sem deixar descendência miserável
Não permita que te tomem por volúvel
Leva tua alma indissolúvel
E tudo aquilo que não pôde ser.
Sei que devo ir soltando as amarras que me prendem a uma moral que não me pertence.
Enquanto, dia-a-dia, a vida vai ficando para trás, essas cordas ilusórias me sufocam e não posso ser salva sem olhos que me abram os meus.
Nessa busca inglória vou conquistando preceitos que, se não me libertam, ao menos me esclarecem.
A clarividência do que SOU, do que estou, causa em mim doenças imaginárias, me apresenta obrigações fantásticas e direitos impossíveis, que pleiteio frente ao espelho, sempre que posso enxergar meu reflexo.
Na tentativa vã de atendê-los, perco-me em ânsia vazia.
...os dias vão passando...

domingo, 3 de maio de 2009

O despertar do sono me revela a natureza das coisas com a crueldade de uma bala perdida.
Ao passo em que meus olhos vão se abrindo, posso ver a verdade, com certa perplexidade, sim, mas também com muita serenidade.
A paixão que o susto pregou vai passando e agora posso entrar em contato com algo muito mais profundo, que me sustenta, mas ao mesmo tempo tenta me passar a perna.
Estou com mais medo ainda das pessoas e do quanto elas podem ser más, sobretudo quando se espera algo delas.
Descortina-se para mim o lado de lá de uma ponte 'bamba'.
Algum dia eu dou o primeiro passo...

quarta-feira, 8 de abril de 2009

I'm a Miss Dalloway - "always giving parties to cover the silence".

As horas entre mim e minha consciência pulsam no tempo que elegi para me anestesiar.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Que bons ventos me trazem o desejo de, pacienciosamente, esperar.
Quero olhar tudo de frente.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Escolho as metáforas, as indiretas, as entrelinhas...
Minha vida é poesia livre!
Trago olhos que não piscam e ressecam,
Secos pelas vicissitudes que os cercam.
Concederam-me licença poética para revelar
O que minhas máscaras subcutâneas tentaram ocultar.

terça-feira, 24 de março de 2009

Até consigo entender porque as pessoas acham a vida bela e são cheias de esperança. Consigo, mas pra mim é impossível, inconciliável sentir-me assim.
Tenho algo pulsante, que impede que se instale qualquer sentimento de otimismo, qualquer folga pra alma. Meu espírito já é cinzas, enquanto o corpo ainda queima.
Assim, anoitece e amanhece e tudo está amortecido, esperando o fim chegar.
Questiono-me porque a espera há de ser tão dolorosa.
Imagino que faça algum sentido, mas, no fundo, nada faz sentido algum e nada merece mais que três milésimos da minha consideração.
Quando me afoguei nesta mágoa entendia exatamente o que estava acontecendo, sabia que poderia ser salva pelos métodos ortodoxos, mas eu queria mesmo eram os meios alternativos!
Eu quis ser salva pela mão que me afundava cada vez mais, e essa mão, surpreendentemente, era a minha própria mão!
Ah, que perplexidade!
Como posso, ainda hoje, vendo o abismo em que me conservo, encontrar algum lirismo neste auto-aniquilamento?
Como alguém ‘com um futuro pela frente’, voluntária e caprichosamente, opta por viver a mais amarga infelicidade, sabendo que isto lhe custaria o brilho dos olhos?
Tentam me tirar daqui!
Esta é uma luta inglória, pois as raízes imaginárias, que criei para manter-me estagnada em profunda amargura, mal permitem que eu respire mais fundo.
Ah, mas com quanta poesia deparo-me no infortúnio que elegi!
O sofrimento é belo. É valente. É honrado.
Qualquer pulha concordaria que sou a mais intrépida e audaz das mocinhas que aceitam seu flagelo como condição de absolvição sabe-se lá de quê.
Concordariam, sim, mas apenas e tão somente até o momento em que lhes fosse revelado que a angústia desta moça cá é real, a despeito de ser opcional.
Faz tanto calor, e padeço nesse verão que achei que superaria.
Quiçá eu ainda chegue ao próximo inverno, pra ver, mais uma vez, somente uma a mais, a ilusão que se faz quando o vento sopra frio...

segunda-feira, 23 de março de 2009

A poesia da filosofia

Todo filósofo é um poeta?
Poesia, entendo, é não saber o que dizer. É um estado de inconsciência.
Todo poeta é um filósofo! Quanto a isso não me restam dúvidas!
A recíproca é verdadeira?
Nietzsche, segundo o que posso entender, é um 'ranzinza da filosofia'...(?).
Ainda assim, ele não deixa de ser poético!
Com toda sua 'insolência', ele é encantador (reforço, até onde me foi possível apreendê-lo). E enlouqueceu justamente por ser sensível demais...
E o que é o poeta senão um ser sensível demais ao mundo à sua volta?Tenho medo de respostas diretas!Vou me aventurar em elucubrações...
O poeta é escravo de si. De seu capricho. E gosta disso...Sente o mundo à sua volta e sofre por não poder controlar seus efeitos, mas é um 'masoquista', porque busca esse sofrimento como forma de absolvição, por sua inação. O poeta é passivo. Espera. Espreita. Quando não foge!
Sempre tem um objeto que cobiça. É algo que PODE ter, mas que SABE nunca terá, porque sua cobiça perderia a razão caso o obtivesse. Se o poeta diz que quer amar, amar incondicionalmente... a COISA COBIÇADA seria o AMOR... Se este poeta consegue o amor que quer... Não há mais porque querê-lo!Então, o desejo pela coisa não deixa de ser um sofrimento, ainda que porque o poeta conhece que ao conquistá-la, não mais a desejará, ou seja, ficará SEM O OBJETO DE UMA FORMA OU DE OUTRA! Será que me fiz entender?
Sou poeta?
Amo TANTO tudo que amo que sempre dói porque não deixo de pensar em quando o que amo faltará, e sempre que me falta dói mais ainda, e o sofrimento me faz um bem enorme!

Falemos, então, do filósofo.
O filósofo PERSEGUE o objeto cobiçado com tanta obstinação!
Não tem ele o temor de perder o interesse. Assim sua cobiça não lhe causa sofrimento, ao contrário, lhe é motivo de contentamento. Mesmo antes de alcançar a coisa, por que sabe que pode e que vai consegui-lo!
Então, foge ele da dor? Eu poderia afirmar isso...
O filósofo, acredito, não quer a dor, busca libertar-se do estigma do homem. Busca revelar a verdade que está ofuscada pela nossa dissimulada natureza humana.
Mas a verdade é perigosa. Tem tanto potencial para causar o sofrimento ao filósofo, quanto o fardo que carrega o poeta, que tem plena consciência de que, qualquer que seja a situação em que se encontre com relação ao objeto, sofrerá.
Que pensar?

domingo, 22 de março de 2009

Intróito.

Aquilo que as palavras podem exprimir.