Tenho medo. Estou triste, sozinha, perdida e cansada.
Já bati minha cabeça tantas vezes contra a parede. A parede rachou e depois a parede caiu.
Mas a dor! Ah, não, a dor continuou ali, doendo. E hoje eu só quero ficar quieta, deitada, respirando baixinho.
Mãe, ninguém tem culpa. A tristeza está em mim, o que não quer dizer que a culpada sou eu.
Se alguém te disse que te ama, é porque alguém ama te amar.
E todo mundo ama todo mundo, mas não há uma boa alma nesse todo mundo que me ajude a entender porque a melancolia nunca cessa.
E isso desgasta. Meus músculos estão extenuados de tentar.
Tudo tem o mesmo sabor, o mesmo cheiro, a mesma cor. Por certo meus sentidos me enganam porque, mãe, todo mundo parece tão feliz.
Todo mundo acorda, todo mundo dorme. Come, reza, trabalha, dança, goza.
Viver, mãe, é negócio perigoso, e eu tenho medo.
terça-feira, 19 de abril de 2011
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