quinta-feira, 18 de novembro de 2010

BILHETE

Se tu me amas,
ama-me baixinho.

Não o grites de cima dos telhados,
deixa em paz os passarinhos.

Deixa em paz a mim!

Se me queres,
enfim,

.....tem de ser bem devagarinho,
.....amada,

.....que a vida é breve,
.....e o amor
.....mais breve ainda.

Mario Quintana


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dia azul. Intermináveis dias azuis. Tudo blue na minha paróquia.

É que esse horário de verão que começa na primavera, confunde as flores, que se vêem atrasadas, sempre atrasadas.
E eu também me demorei e agora não dá mais tempo é de nada.

Meu chão já não é tão estável. Meu não já não é tão convicto.
Tudo chega se revelando aqui na frente e essa dança frenética me enauseia.

Sou essa metonímia mal formulada, displicente e renegada.
Já sou toda a dor que negligenciei.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Não se mate
(Carlos Drummond de Andrade)


Não se mate
Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe o que será.

Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.

O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê, praquê.

Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguem sabe nem saberá.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Vivo esperando aflitamente por essa boa nova...novidades que não me alcançam...

Tenho os olhos nesse lugar. Tenho olhos virados para dentro de mim.

Como que num sonho, emaranho-me em meus cabelos e só sinto o cheiro que eu exalo...só consigo ver pelo meu ângulo em torpor...
O que vem de dentro, em via de mão dupla...regressa...eterno retorno...esquerda volver!

Desaprendi a partilhar quem eu sou, e já ninguém consegue ficar por perto por muito tempo.
Tornei-me uma pessoa desagradável, pois que suficiente.

Sigo nessa auto-avaliação, que nada me mostra de diferente...não vejo as mudanças de que me acusam...
Mas...eu sei...sei que mudei. Mas ainda sou a mesma...

quarta-feira, 5 de maio de 2010




"Dear Leonard:

To look life in the face, always...to look life in the face.

And to know it...for what it is.

At last to know it...to love it...for what it is.

And then...to put it away!


Leonard...

Always the years between us...always the years...always the love...always the hours."

sábado, 1 de maio de 2010

...venho buscando palavras pra dizer o que eu já disse.
Leia-me. Está tudo aí!


Não quero mais ter que ficar me explicando. O que eu sinto, eu sinto. E ponto. Está feito!

Brindemos!


Delícias...'gelos'...é um deleite experimentar o que há de vir.

De qualquer maneira, Está tudo aqui, e não sai. Procuro maneiras de encenar que as coisas vão bem...e para o bom pessimista, está tudo bem, quando está tudo mal.



Queria segurar uma mão que me amparasse, e apenas amparasse.
Uma mão que não quisesse me sorver.
Apenas e tão somente...conter.

Uma mão só pra mim. A minha mão, em outro corpo.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

E as flores que se têm colocado pelo meu caminho...

Sempre tive medo das flores...lembram-me a morte, tão distante.
A maior flor que encontrei me entorpeceu com seu pólen e como boa carnívora devorou-me da alma aos pés.
Agora fujo delas. De todas elas.
Não mais por medo da vida, mas por medo da ferida.
E às flores que se têm colocado pelo meu caminho...peço perdão se lhas piso!

sábado, 30 de janeiro de 2010

Jamais pediria que esperassem por mim...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Humbert-Humbert, sobre a ausência de sua Lolita:

"...a impressão geral que desejo transmitir é a de uma porta lateral que se abre violentamente numa vida em pleno vôo, deixando entrar uma negra e retumbante golfada de tempo que abafa, com suas chicotadas de vento, o grito da catástrofe solitária". ( Nabokov)

Bastante esclarecedor.

domingo, 3 de janeiro de 2010

"Do contrário, privada de algum propósito que lhe desse forma e sustentação, o esqueleto de seus dias desmoronava por completo." Nabokov

O sono, que já me era pouco, tornou a me abandonar atrozmente. À medida em que cresce meu descontentamento comigo mesma, diminuem minhas horas de descanso, numa proporção desarrazoada, em que sempre estou perdendo feio.
Olho-me daqui de cima e tudo o que vejo é um corpo desconhecido, interte e entregue a todas as coisas que me aniquilam...
- Faz tempo que não choro, e está tudo depositado aqui, sufocando-me. Todas as dores da vida viram manchas na minha pele, escondem-se por sob as minhas roupas, e é quando me dispo que elas me vestem. Nua, sinto sua lastimosa verdade, entranhada em meu corpo, que comprime o exato espaço entre meu peito e minha garganta.
...
Se eu gritasse, quem sabe assim tiraria o sono de cada um, um por um, e com eles tramaria um sono para mim.

- Que ânsia! Anseio pelas minhas lágrimas que não vertem! Preciso chorar um pouquinho...

ALGUÉM, FIRA-ME, POR FAVOR!
Despudoradamente, deliberadamente, magoe-me! Presenteie-me com toda a sua ignomínia!
Mareje-me os olhos e leve embora o gosto de morte dos meus lábios...leve embora, lavando-os de lágrimas.