sexta-feira, 27 de março de 2009

Que bons ventos me trazem o desejo de, pacienciosamente, esperar.
Quero olhar tudo de frente.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Escolho as metáforas, as indiretas, as entrelinhas...
Minha vida é poesia livre!
Trago olhos que não piscam e ressecam,
Secos pelas vicissitudes que os cercam.
Concederam-me licença poética para revelar
O que minhas máscaras subcutâneas tentaram ocultar.

terça-feira, 24 de março de 2009

Até consigo entender porque as pessoas acham a vida bela e são cheias de esperança. Consigo, mas pra mim é impossível, inconciliável sentir-me assim.
Tenho algo pulsante, que impede que se instale qualquer sentimento de otimismo, qualquer folga pra alma. Meu espírito já é cinzas, enquanto o corpo ainda queima.
Assim, anoitece e amanhece e tudo está amortecido, esperando o fim chegar.
Questiono-me porque a espera há de ser tão dolorosa.
Imagino que faça algum sentido, mas, no fundo, nada faz sentido algum e nada merece mais que três milésimos da minha consideração.
Quando me afoguei nesta mágoa entendia exatamente o que estava acontecendo, sabia que poderia ser salva pelos métodos ortodoxos, mas eu queria mesmo eram os meios alternativos!
Eu quis ser salva pela mão que me afundava cada vez mais, e essa mão, surpreendentemente, era a minha própria mão!
Ah, que perplexidade!
Como posso, ainda hoje, vendo o abismo em que me conservo, encontrar algum lirismo neste auto-aniquilamento?
Como alguém ‘com um futuro pela frente’, voluntária e caprichosamente, opta por viver a mais amarga infelicidade, sabendo que isto lhe custaria o brilho dos olhos?
Tentam me tirar daqui!
Esta é uma luta inglória, pois as raízes imaginárias, que criei para manter-me estagnada em profunda amargura, mal permitem que eu respire mais fundo.
Ah, mas com quanta poesia deparo-me no infortúnio que elegi!
O sofrimento é belo. É valente. É honrado.
Qualquer pulha concordaria que sou a mais intrépida e audaz das mocinhas que aceitam seu flagelo como condição de absolvição sabe-se lá de quê.
Concordariam, sim, mas apenas e tão somente até o momento em que lhes fosse revelado que a angústia desta moça cá é real, a despeito de ser opcional.
Faz tanto calor, e padeço nesse verão que achei que superaria.
Quiçá eu ainda chegue ao próximo inverno, pra ver, mais uma vez, somente uma a mais, a ilusão que se faz quando o vento sopra frio...

segunda-feira, 23 de março de 2009

A poesia da filosofia

Todo filósofo é um poeta?
Poesia, entendo, é não saber o que dizer. É um estado de inconsciência.
Todo poeta é um filósofo! Quanto a isso não me restam dúvidas!
A recíproca é verdadeira?
Nietzsche, segundo o que posso entender, é um 'ranzinza da filosofia'...(?).
Ainda assim, ele não deixa de ser poético!
Com toda sua 'insolência', ele é encantador (reforço, até onde me foi possível apreendê-lo). E enlouqueceu justamente por ser sensível demais...
E o que é o poeta senão um ser sensível demais ao mundo à sua volta?Tenho medo de respostas diretas!Vou me aventurar em elucubrações...
O poeta é escravo de si. De seu capricho. E gosta disso...Sente o mundo à sua volta e sofre por não poder controlar seus efeitos, mas é um 'masoquista', porque busca esse sofrimento como forma de absolvição, por sua inação. O poeta é passivo. Espera. Espreita. Quando não foge!
Sempre tem um objeto que cobiça. É algo que PODE ter, mas que SABE nunca terá, porque sua cobiça perderia a razão caso o obtivesse. Se o poeta diz que quer amar, amar incondicionalmente... a COISA COBIÇADA seria o AMOR... Se este poeta consegue o amor que quer... Não há mais porque querê-lo!Então, o desejo pela coisa não deixa de ser um sofrimento, ainda que porque o poeta conhece que ao conquistá-la, não mais a desejará, ou seja, ficará SEM O OBJETO DE UMA FORMA OU DE OUTRA! Será que me fiz entender?
Sou poeta?
Amo TANTO tudo que amo que sempre dói porque não deixo de pensar em quando o que amo faltará, e sempre que me falta dói mais ainda, e o sofrimento me faz um bem enorme!

Falemos, então, do filósofo.
O filósofo PERSEGUE o objeto cobiçado com tanta obstinação!
Não tem ele o temor de perder o interesse. Assim sua cobiça não lhe causa sofrimento, ao contrário, lhe é motivo de contentamento. Mesmo antes de alcançar a coisa, por que sabe que pode e que vai consegui-lo!
Então, foge ele da dor? Eu poderia afirmar isso...
O filósofo, acredito, não quer a dor, busca libertar-se do estigma do homem. Busca revelar a verdade que está ofuscada pela nossa dissimulada natureza humana.
Mas a verdade é perigosa. Tem tanto potencial para causar o sofrimento ao filósofo, quanto o fardo que carrega o poeta, que tem plena consciência de que, qualquer que seja a situação em que se encontre com relação ao objeto, sofrerá.
Que pensar?

domingo, 22 de março de 2009

Intróito.

Aquilo que as palavras podem exprimir.