quarta-feira, 13 de maio de 2009

VIOLADO EGO MORTO
Quando vejo teu sangue derramado
Sinto o gosto do sentido putrefato
Sobre teu corpo agora revelado
Atirando-me em angústia deflorada

Ego morto, decepado, enterrado.
O vermelho dos teus olhos estalados
Verte águas dolorosas cravejadas
E teu peito outrora ofegante
Conhece a morte antecipada

Nascido morto, padeceu!
Sem deixar descendência miserável
Não permita que te tomem por volúvel
Leva tua alma indissolúvel
E tudo aquilo que não pôde ser.
Sei que devo ir soltando as amarras que me prendem a uma moral que não me pertence.
Enquanto, dia-a-dia, a vida vai ficando para trás, essas cordas ilusórias me sufocam e não posso ser salva sem olhos que me abram os meus.
Nessa busca inglória vou conquistando preceitos que, se não me libertam, ao menos me esclarecem.
A clarividência do que SOU, do que estou, causa em mim doenças imaginárias, me apresenta obrigações fantásticas e direitos impossíveis, que pleiteio frente ao espelho, sempre que posso enxergar meu reflexo.
Na tentativa vã de atendê-los, perco-me em ânsia vazia.
...os dias vão passando...

domingo, 3 de maio de 2009

O despertar do sono me revela a natureza das coisas com a crueldade de uma bala perdida.
Ao passo em que meus olhos vão se abrindo, posso ver a verdade, com certa perplexidade, sim, mas também com muita serenidade.
A paixão que o susto pregou vai passando e agora posso entrar em contato com algo muito mais profundo, que me sustenta, mas ao mesmo tempo tenta me passar a perna.
Estou com mais medo ainda das pessoas e do quanto elas podem ser más, sobretudo quando se espera algo delas.
Descortina-se para mim o lado de lá de uma ponte 'bamba'.
Algum dia eu dou o primeiro passo...