terça-feira, 24 de março de 2009

Até consigo entender porque as pessoas acham a vida bela e são cheias de esperança. Consigo, mas pra mim é impossível, inconciliável sentir-me assim.
Tenho algo pulsante, que impede que se instale qualquer sentimento de otimismo, qualquer folga pra alma. Meu espírito já é cinzas, enquanto o corpo ainda queima.
Assim, anoitece e amanhece e tudo está amortecido, esperando o fim chegar.
Questiono-me porque a espera há de ser tão dolorosa.
Imagino que faça algum sentido, mas, no fundo, nada faz sentido algum e nada merece mais que três milésimos da minha consideração.
Quando me afoguei nesta mágoa entendia exatamente o que estava acontecendo, sabia que poderia ser salva pelos métodos ortodoxos, mas eu queria mesmo eram os meios alternativos!
Eu quis ser salva pela mão que me afundava cada vez mais, e essa mão, surpreendentemente, era a minha própria mão!
Ah, que perplexidade!
Como posso, ainda hoje, vendo o abismo em que me conservo, encontrar algum lirismo neste auto-aniquilamento?
Como alguém ‘com um futuro pela frente’, voluntária e caprichosamente, opta por viver a mais amarga infelicidade, sabendo que isto lhe custaria o brilho dos olhos?
Tentam me tirar daqui!
Esta é uma luta inglória, pois as raízes imaginárias, que criei para manter-me estagnada em profunda amargura, mal permitem que eu respire mais fundo.
Ah, mas com quanta poesia deparo-me no infortúnio que elegi!
O sofrimento é belo. É valente. É honrado.
Qualquer pulha concordaria que sou a mais intrépida e audaz das mocinhas que aceitam seu flagelo como condição de absolvição sabe-se lá de quê.
Concordariam, sim, mas apenas e tão somente até o momento em que lhes fosse revelado que a angústia desta moça cá é real, a despeito de ser opcional.
Faz tanto calor, e padeço nesse verão que achei que superaria.
Quiçá eu ainda chegue ao próximo inverno, pra ver, mais uma vez, somente uma a mais, a ilusão que se faz quando o vento sopra frio...

Nenhum comentário: