segunda-feira, 23 de março de 2009

A poesia da filosofia

Todo filósofo é um poeta?
Poesia, entendo, é não saber o que dizer. É um estado de inconsciência.
Todo poeta é um filósofo! Quanto a isso não me restam dúvidas!
A recíproca é verdadeira?
Nietzsche, segundo o que posso entender, é um 'ranzinza da filosofia'...(?).
Ainda assim, ele não deixa de ser poético!
Com toda sua 'insolência', ele é encantador (reforço, até onde me foi possível apreendê-lo). E enlouqueceu justamente por ser sensível demais...
E o que é o poeta senão um ser sensível demais ao mundo à sua volta?Tenho medo de respostas diretas!Vou me aventurar em elucubrações...
O poeta é escravo de si. De seu capricho. E gosta disso...Sente o mundo à sua volta e sofre por não poder controlar seus efeitos, mas é um 'masoquista', porque busca esse sofrimento como forma de absolvição, por sua inação. O poeta é passivo. Espera. Espreita. Quando não foge!
Sempre tem um objeto que cobiça. É algo que PODE ter, mas que SABE nunca terá, porque sua cobiça perderia a razão caso o obtivesse. Se o poeta diz que quer amar, amar incondicionalmente... a COISA COBIÇADA seria o AMOR... Se este poeta consegue o amor que quer... Não há mais porque querê-lo!Então, o desejo pela coisa não deixa de ser um sofrimento, ainda que porque o poeta conhece que ao conquistá-la, não mais a desejará, ou seja, ficará SEM O OBJETO DE UMA FORMA OU DE OUTRA! Será que me fiz entender?
Sou poeta?
Amo TANTO tudo que amo que sempre dói porque não deixo de pensar em quando o que amo faltará, e sempre que me falta dói mais ainda, e o sofrimento me faz um bem enorme!

Falemos, então, do filósofo.
O filósofo PERSEGUE o objeto cobiçado com tanta obstinação!
Não tem ele o temor de perder o interesse. Assim sua cobiça não lhe causa sofrimento, ao contrário, lhe é motivo de contentamento. Mesmo antes de alcançar a coisa, por que sabe que pode e que vai consegui-lo!
Então, foge ele da dor? Eu poderia afirmar isso...
O filósofo, acredito, não quer a dor, busca libertar-se do estigma do homem. Busca revelar a verdade que está ofuscada pela nossa dissimulada natureza humana.
Mas a verdade é perigosa. Tem tanto potencial para causar o sofrimento ao filósofo, quanto o fardo que carrega o poeta, que tem plena consciência de que, qualquer que seja a situação em que se encontre com relação ao objeto, sofrerá.
Que pensar?

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